O rico potencial do comércio eletrônico no Brasil‎

Autor: Norberto A. Torres

Fonte: TI INSIDE |

Estimativas recentes, como as apresentadas na Internet Retailer Conference and Exhibition (IRCE 2012), realizada em Chicago, projetam para os Estados Unidos um crescimento da ordem de 62% entre o volume de vendas online estimado para o período de 2012 e 2016, enquanto que para a Europa, que no seu todo já é um mercado maior que o norte-americano, a projeção alcança 82%.

Se as taxas de crescimento do comércio eletrônico brasileiro seguissem uma referência média de 15% ao ano, por exemplo, teríamos, sobre um volume total de R$ 18 bilhões em 2011, um mercado total da ordem de R$ 36 bilhões, em 2016.

No entanto, diversos fatores devem ser considerados para uma estimativa mais adequada ao mercado brasileiro de e-commerce, que levam essa projeção a níveis ainda mais elevados.

Aqui, ressalto os seguintes pontos:

a) Entrada ou expansão de grandes varejistas eletrônicos mundiais em nosso mercado. A Amazon, com o início de operação previsto ainda para este ano, é atualmente notícia em qualquer discussão sobre o comércio eletrônico no Brasil. Nas categorias em que se posicionar, deslocará parte das compras realizadas atualmente pelos varejistas já estabelecidos, mas certamente criará nova demanda, especialmente por seu "poder de fogo" na captação de clientes do mundo físico do varejo tradicional; isto é, promoverá mais rapidamente a conversão de varejo tradicional em varejo eletrônico.

Por outro lado, o Walmart.com está em uma estratégia mundial para recuperar o terreno perdido ao longo de muitos anos para a Amazon. O WalMart.com tem a vantagem de já estar operando no Brasil e, além disto, deverá trazer para nosso mercado grande parte dos sofisticados recursos de relacionamento.

O social commerce ainda é somente uma promessa, mas pode-se esperar que também venha a intensificar as compras eletrônicas pelo efeito relacionamento. E os atuais grandes varejistas eletrônicos brasileiros deverão reagir com campanhas mais intensas junto aos seus clientes, buscando novos clientes no comércio tradicional.

b) Rápida entrada dos médios e pequenos varejistas tradicionais no comércio eletrônico. Novos players assumirão o papel de “e-hubs”, isto é, agentes intermediários concentradores de ofertantes e clientes, especialmente para atender empresas de pequeno e médio porte, incorporando lojas web, sistemas de informações, logística, relacionamento com mercado e operações de lojas virtuais e shoppings virtuais.

Os médios varejistas já podem contar com soluções de mercado de front/back-end integradas providas como serviços, com custos escaláveis, o que viabilizará o crescimento de operações próprias sofisticadas, independentemente dos marketplaces.

Espera-se, também, que mais “inteligência” venha a ser incorporada aos sistemas de informações, especialmente gerenciamento de catálogos, personalização e operação multicanal, bem como aumento no grau de automação de todo o processo de retaguarda (atendimento, logística, pagamentos etc.).

c) Smartphones aumentarão sua participação nas compras eletrônicas. Um smartphone conectado tem toda a capacidade computacional de um desktop com acesso à web, podendo prover todas as funcionalidades para o comércio eletrônico móvel sofisticado. Nos EUA, a penetração de smartphones já é de mais de 50% sobre o total de telefones celulares.

Em decorrência dos fatores acima, entre outros, o que deve ocorrer é uma rápida transformação da estrutura do varejo como um todo em nosso país. No Brasil, o varejo eletrônico mal chega somente a 1,5% do total do total do varejo (segundo a Fecomércio, o varejo total brasileiro em 2011 foi da ordem de R$ 1,15 trilhão). Tanto nos EUA, como na Europa, essa proporção chega a 5%, ou mais. No Reino Unido, já atinge 12%.

A partir de um simples exercício de simulação, que prevê que o comércio online no país vai crescer dos atuais 1,5%, sobre o comércio total, para algo em torno de 4% em 2016, e haverá uma expansão de 5% no varejo total (sobre R$ 1,15 trilhão de 2011), chegamos a algo em torno de R$ 60 bilhões para o comércio eletrônico brasileiro nos próximos quatro anos.

Isso, sem falar nas transformações de maior impacto que podem levar o comércio eletrônico a mais de 20%, ou mesmo chegando a 30% do varejo total em alguns anos. Obviamente, todos esses números podem ser questionados, mas não há como desatrelar o movimento do comércio eletrônico brasileiro ao dos países europeus e dos EUA, e, mesmo que não de perto, o Brasil seguiria essa tendência. Se isso ocorrer, estamos falando em duplicar ou triplicar a já elevada projeção de R$ 60 bilhões.