A linguagem que revoluciona a web: HTML5

Autor: Nayara Fraga

Fonte: Estadão.com.br |

O modo como se navega na internet pode até parecer o mesmo de tempos atrás para o usuário comum. Mas há muitas evoluções em jogo atualmente que fazem certos sites, por exemplo, carregarem mais rapidamente ou funcionarem sem o Flash, plugin da Adobe. A principal delas é a crescente adoção da linguagem HTML5, a quinta versão da Hypertext Markup Language (HTML), em desenvolvimento há cerca de oito anos.

Não é segredo que alguns dos sites mais acessados do mundo estão baseados nessa linguagem. Análise divulgada em setembro de 2011 mostrou que 34% das 100 páginas de internet mais visitadas no mundo estavam escritas em HTML5. Entre elas, 17% correspondiam a redes sociais.

Tudo indica que essa proporção atualmente seja maior e abranja várias áreas. Isso porque o HTML5, cada vez mais, tem sido enxergado pelas empresas como uma multiplataforma que torna sua presença na web mais simples e uniforme, seja qual for o aparelho do usuário. Ao criar um game baseado em HTML5, por exemplo, o desenvolvedor terá menos trabalho para levá-lo para PCs, smartphones e tablets, independentemente do sistema operacional do aparelho (Android, do Google, iOS, da Apple, Windows Phone, entre outros).

Com isso, evita-se a árdua tarefa de escrever códigos diferentes para que a mesma aplicação seja acessada em aparelhos diferentes. “A grande tendência é desenvolver (aplicações) para um padrão aberto e consolidado, e não para um navegador específico”, diz Reinaldo Ferraz, desenvolvedor web da W3C, consórcio internacional que desenvolve padrões (entre eles o HTML5) para criação e interpretação de conteúdo na web. Ele lembra que a sociedade caminha para um futuro em que a web poderá ser acessada em muitas coisas. Algumas geladeiras e TVs já são do tipo “conectadas”.

É também por essa razão que alguns aplicativos abandonam as lojas das plataformas. O Financial Times parou de vender seu aplicativo de notícias na AppStore, da Apple, para oferecer ao usuário o “web app” em HTML5, que pode ser acessado neste endereço no navegador Safari do iPhone ou do iPad. Com isso, a empresa não tem de pedir permissão para liberar atualizações e ainda se livra da porcentagem da venda do aplicativo que deveria entregar à Apple. Essa, aliás, é uma das reflexões no mercado: se é possível fazer tudo dentro de um navegador, o HTML5 colocaria em risco a existência de lojas e sistemas operacionais?

O Google, com suas inúmeras aplicações em nuvem, é, portanto, um dos principais interessados no HTML5. No YouTube, é possível ver vídeos nessa linguagem acessando youtube.com/html5. O Facebook também já trabalha com HTML5. Ainda parece haver bugs, no entanto. Os testes continuam.

Do ponto de vista do desenvolvedor, além de ser uma plataforma aberta, o HTML5 é uma linguagem mais simples de escrever. Para o usuário, a diferença está no ganho de performance, segundo Yasodara Córdova, designer do W3C. Navegar num site animado em Flash é um processo muito mais lento do que num feito em HTML5. “Principalmente numa conexão 3G, todo byte que a gente reduzir é (algo) bem-vindo”. O Flash já não funciona nos aparelhos da Apple e não será compatível no Jelly Bean, última versão do Android.

Mozilla

A Mozilla, dona do navegador Firefox, anunciou em julho ter planos de lançar um sistema operacional móvel totalmente aberto baseado em HTML5. Chamado de Firefox OS, uma de suas vantagens seria eliminar as lojas de aplicativos e diminuir a complexidade de uma plataforma móvel. A desvantagem seria não controlar as atualizações dos aplicativos.

O Firefox OS é um teste da Mozilla no mercado de sistemas móveis que tem o apoio de várias fabricantes de dispositivos no mundo. A instituição diz entrar no mercado brasileiro no começo de 2013 com essa plataforma – a ser adotada primeiramente pelos fabricantes ZTE e TCL Communication Technology (Alcatel) e comercializada no País pela operadora Vivo.